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Novelas: Idade dos atores x idade os personagens

Não é segredo que a telenovela sofreu e ainda sofre preconceito por parte de profissionais do
Cinema, e do Teatro. Ainda é vista por muitos, como um produto menor. Quando a teledramaturgia
surgiu, ao vivo, na década de 1950, não se acreditava que faria sucesso.

Era um produto malvisto. Haviam grandes dificuldades de se montar elencos das telenovelas. Faltavam atores veteranos. Por isso, era muito comum, atores jovens desempenharem papéis mais velhos que eles, porque os artistas veteranos do Teatro, torciam o nariz pra TV.

Mas como a TV era em preto e branco, lançava-se mãos de truques de maquiagens para tornar aceitável tal ator jovem desempenhar o papel de pai ou mãe de tal ator jovem. Muitas vezes, mesmo assim, haviam estranhamentos por parte do público.

Em 1968, por exemplo, Arlete Salles, então com 26 anos, interpretou a mãe de Myriam Pérsia que tinha 33 anos na época. Nesse mesmo ano, então com 39 anos, Fernanda Montenegro viveu a Mãe Cândida de A MURALHA, e era mãe de Gianfrancesco Guarniere (então com 34 anos).

Porém, a perfeita maquiagem, fez Fernanda realmente aparentar ter a idade da personagem:
cerca de 70 anos, muito embrutecida pela vida difícil que levava com os filhos. Na TV TUPI, a
novela Mulheres de Areia apresentou Claudio Corrêa e Castro (45 anos), e Cleyde Yáconis
(49), como pais de Carlos Zara (42).

Na mesma trama, Lucy Meirelles (44 anos), fez uma idosa, mãe de Ruth e Raquel (Eva Wilma, na época com 40 anos). E na TV Globo no clássico Irmãos Coragem, por mais que as atrizes se esforçassem, era difícil ver Estela (Glauce Rocha, então com 40 anos), e muito vaidosa por sinal; como mãe de Lara (Glória Menezes, então com 36 anos de idade).

Em determinado capítulo, talvez por conta do estranhamento do público, houve uma cena em que Glauce Rocha ajusta o vestido, e comenta que teve Lara com 15 anos de idade, e que muita gente acreditava que elas eram irmãs.

Noutro capítulo, se lançou a dúvida, levantada pela personagem de Ana Ariel, se Lara era filha de Dalva (Miriam Pires), irmã de Estela. Além disso, na novela, o pai de Lara, era Gilberto Martinho, que fazia o vilão Pedro Barros. Um “velho” de 43 anos… Porém, a caracterização de Martinho como um idoso, convenceu. Sua voz grave, obviamente, o ajudava.

Aliás, o recurso da voz grave, ajudou muitos atores jovens a desempenharem papéis de pessoas bem
mais velhas (casos como os de Ênio Santos, Rogério Márcico, e Mauro Mendonça – este último
desempenhou o velho Brás Olinto de A Muralha, na versão de 1968 e também na versão de
2000).

A atriz Neuza Amaral, foi uma das atrizes que mesmo com menos de 40 anos, viveu muitas
idosas nas novelas (ela chegou a ser mãe de Glória Menezes numa novela da TV Excelsior, Uma Sombra em Minha Vida, e foi mãe de Tarcísio Meira em O Homem que Deve Morrer). Outra que fazia muito bem personagem mais velhas que ela, era a já citada atriz, Ana
Ariel.

Conforme a tecnologia televisiva foi avançando, ficou cada vez mais difícil, se esconder tal situação
do público, cada vez exigente com verossimilhança entre ator e personagem. Porém, mesmo assim,
houve ainda muitas escalações equivocadas após toda a grade televisiva ser a cores nos anos 1970.

Em PAI HERÓI, por exemplo, de 1979; Carlos Zara viveu o filho de Monah Delacy, que era apenas
um ano mais velha que ele. Atores de porte, os dois desempenharam bem seus papéis, mas soav estranho Zara chamar Delacy de mãe. Estava mais pra esposa ou irmã… Nessa mesma novela, aliás,
apesar de ter apenas 49 anos, Lima Duarte foi bem envelhecido, pra poder ser avô de Tony Ramos,
então com 29 anos, nos primeiros capítulos da trama.

Atualmente, a novela Pantanal levantou vários comentários do público a respeito das idades dos
atores que diziam não corresponderem a dos personagens. Nas estimativas de elenco para a novela, gerou-se uma expectativa para que Cristiana Oliveira, atualmente com 58 anos, vivesse Maria
Marruá, que no original era uma moça na faixa dos trinta anos, chegando na segunda fase da
história, na faixa dos cinquenta anos.

Uns defendiam a ideia, e outros não, pois ficaria estranho uma mulher já perto dos 60 anos, dando a luz. Mas lembremos que na versão de 1990, Pantanal, também causou estranhamento do público na questão de “idade x personagem”.

Na primeira fase da trama, apresentava-se Tânia Alves (na época com 36 anos), como Filó, vivida na segunda fase, por Jussara Freire (na época com 39 anos). Ou seja, se passavam vinte anos da primeira pra segunda fase, mas as atrizes que viviam Filó, tinham apenas três anos de diferença.

Por mais que embarquemos na fantasia, há situações que precisam ser críveis. O público que vê
novela, é exigente e muito crítico. Dividem-se muito nessa questão de ator cuja idade não combina
com a do personagem, mesmo que o ator faça uma composição bem convincente.

Alguns conseguem tal feito, e entra aí todo um trabalho de gestual, que torna sua composição, crível, como ocorreu com Selma Egrey em Velho Chico, ao desempenhar uma mulher de cem anos na terceira fase da trama. Toda essa composição, depende não somente do ator, na questão também de
voz, mas também de toda uma produção artística com foco no figurino e na maquiagem do artista.

Em Velho Chico, acreditamos que Selma Egrey era mãe de Antônio Fagundes. Os atores
passaram essa impressão ao público, embora a diferença de idade entre eles, era muito pouca. Mas o
figurino, o gestual, de Selma, nos convenceu.

Mas nem sempre isso acontece… Alguém deve lembrar da novela Em Família, e como foi numerosa a quantidade de reclamações do público, sob o estranhamento de verem Júlia Lemmertz como filha de Nathália do Valle… E Ana Beatriz Nogueira como mãe de Gabriel Braga Nunes…

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Michel Luiz Castellar

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